quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O Museu Secreto


As fotos do “museu secreto” da National Geographic Society

O New York Times informou, em sua home page, que o “museu secreto” da National Geographic Society (mais de 11 milhões de fotos que documentam a vida do século 20 , de Uganda ao delta do Mississipi) abrirá suas portas para o “mercado de arte” — e, consequentemente, para o público. O primeiro passo acontecerá dia 17 de setembro, quando a Steven Kasher Gallery abre sua primeira exposição de fotos da National Geographic — 150 imagens antigas de uma dúzia de fotógrafos.

Enviado por Ricardo Lombardi

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

170 anos de história

Mo Tzu


Aristóteles e o Busto de Homero - Rembrandt, 1653


Leonardo da Vinci


Hercules Florence




Foi através da fotografia que o homem encontrou uma das formas mais perfeitas e práticas para gravar e reproduzir suas manifestações culturais.

Cerca de quinhentos anos antes de Cristo, o chinês Mo Tzu já conhecia o princípio óptico da câmera escura. Mas há quem atribua a responsabilidade pelo início dos comentários esquemáticos da câmera escura ao filósofo grego Aristóteles, que viveu no quarto século antes de Cristo. Sentado embaixo de uma árvore, ele observou, em um eclipse parcial, os raios do sol projetados no chão. Quanto menor os orifícios pelos quais eles passavam entre as folhas, mais nítida era a imagem. A ignorância e a superstição na Europa fizeram com que esses acontecimentos fossem esquecidos. Por volta de 1554, Leonardo da Vinci descobriu o princípio da câmera escura, que é o seguinte: a luz refletida por um objeto projeta fielmente sua imagem no interior de uma câmera escura, se existir apenas um orifício para a entrada dos raios luminosos. Baseados neste princípio, os artistas simplificam o trabalho de copiar objetos e cenas, utilizando câmeras dos mais diversos formatos e tamanhos. Enfiavam-se dentro da própria câmera e ganhavam à imagem refletida em uma tela ou pergaminho preso na parede oposta ao orifício da caixa. Não é difícil imaginar os passos seguintes desta evolução: uma lente colocada no orifício melhorou o aproveitamento da luz; um espelho foi adaptado para rebater a imagem na tela; mecanismos foram desenvolvidos para facilitar o enquadramento do assunto. Com esses e outros aperfeiçoamento, a caixa ficou cada vez menor e o artista trabalhava já do lado de fora, tracejando a imagem protegida por um pano escuro.
O Brasil também teve participação importante na descoberta da fotografia através de Hercules Florence que inclusive passou por Sorocaba quando era desenhista na expedição do Barão de Langsdorf que começou a mapear os rios do Brasil pela cidade de Porto Feliz. Em 7 de janeiro de 1839 Louis Jacques Mandé Daguerre divulgou a criação do daguerreótipo, uma máquina capaz de fixar a imagem em menos tempo. Diminui-se o tempo, mas ainda não existia a técnica da reprodução. “Em 19 de agosto do mesmo ano, na Academia de Ciências de Paris, tornou o processo acessível ao público.”

Mario Cravo Neto



Autor desconhecido. Quem souber por gentileza me diga,pois o mínimo que todos nós podemos fazer é colocar o crédito do autor.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Até breve Mario


A TARDE - Segundo Caderno - 11 de Agosto de 2009

Querido Mario

Não queria mesmo estar aqui escrevendo isso, mas é a única coisa que ainda posso fazer neste momento de vazio, para ter você ainda vivo na minha memória. E, afastando as lágrimas, tento me lembrar do primeiro encontro em NY, em 1970, quando vi pela primeira vez suas imagens em preto e branco feitas naquela capital da solidão. Foi ali, você, a minha única influência na fotografia depois de Bill Brandt, e foi também a primeira vez que conhecia pessoalmente um artista múltiplo, instigante, natural. Alguém cuja especialidade e função eram uma só: criar.
A sua falta será mais terrível dia após dia, vendo em que tamanha pobreza caiu a criação fotográfica em particular, a criação em geral nesta época de falta de expressão, nesta época de propaganda e marketing. Logo você, artista inovador e completo em todas as áreas, estradas abertas ao infinito, estradas nas quais também gosto de me perder e me achar de novo. Algumas dessas que percorremos juntos, como nos sertões em 76 e em 85.
Depois foi na Boca do Rio, onde fiquei hospedado inúmeras vezes com imagens de seus personagens retratados, e meus primeiros encontros baianos. Encontros que criaram raízes em um desenraizado como eu. Mas afinal você foi o mestre também das raízes, não foi mesmo? Imagine que me ligaram para escrever um artigo sobre você agora. E por que ninguém pensou nisso antes, quando você ainda estava aqui? Afinal, sempre fomos pares ímpares. E ultimamente queria muito fazer uma outra exposição juntos, como aquela de 1988 no Palazzo Fortuny, em Veneza.
Enfim, o que dizer sobre sua obra que já não tenha sido dito de maneira mais hábil? Que foi uma das grandes inspirações que andou correndo o mundo todo, e que também construímos paralelos que muitos desconhecem? Que seu preto e branco, pelo qual você ficou mais conhecido, era somente um pedacinho de você? Que sua cor era lírica enquanto a minha era trágica? Mas que tanto uma quanto a outra iam fundo na realidade.
Na verdade, essas poucas linhas não serão suficientes para falar de sua obra absolutamente única e genial (afinal, a arte só existe, sobretudo verdadeira, pela sua individualidade, sua originalidade.
E nisso, mais uma vez, você foi insubstituível).
E, francamente, não tenho mais palavras, porque elas sempre foram insuficientes para sua obra visual. E, aqui, no áudio, fica Tutu , de Miles Davis, um dos muitos sons que você me fez conhecer.
Bjs e até breve, Miguel.

Miguel Rio Branco | Fotógrafo